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Atletas

Rita Andrade: uma mulher de fibra

Rita Andrade: uma mulher de fibra

Natural do Acre, Rita de Cássia Albuquerque Andrade é formada em Letras-Português pela UFAC e atleta de bocha paralímpica na categoria BC1. Bicampeã estadual, tricampeã regional — e a única mulher na categoria BC1 da Região Norte.

Natural do Acre, Rita de Cássia Albuquerque Andrade, a Ritinha, tem 25 anos, é formada em Letras-Português pela Universidade Federal do Acre (UFAC) e é atleta de bocha paralímpica, na categoria BC1. Desde que nasceu, Rita convive com a Paralisia Infantil e com as sequelas de sua condição: ela teve sua dicção e seus membros inferiores e superiores severamente afetados, o que a obrigou a utilizar cadeira de rodas.

"Na verdade, a deficiência é a minha grande motivação, porque é através dela, e de tudo o que já conquistei por causa dela, que eu consigo mostrar para o mundo que podemos tudo o que sonhamos", afirma.

Além da deficiência, ela também enfrentou outros obstáculos em sua vida. Como sua mãe biológica não teve condições financeiras de criá-la, Rita foi criada pelos avós paternos, desde que tinha apenas 1 ano e 9 meses. Segundo Rita, ela é muito grata por ter acontecido desta forma, já que seus avós foram os pais que a ensinaram a ser uma "luz no meio dos homens".

Ela considera que todos que conheceu durante sua vida foram fundamentais em sua evolução, mas que quem realmente foi a grande agente transformadora de sua história foi sua mãe avó, principalmente por possibilitar seu acesso à educação, mesmo com dificuldades.

"Era ela que, lá atrás, me levava nos braços, debaixo de um sol quente para a minha primeira escola, pois eu não tinha cadeira de rodas e nem o estado disponibilizava o transporte para me levar", relembra.

Sempre muito estudiosa e com boas notas na escola, Rita chegou à faculdade um ano antes do previsto, ao passar no ENEM para a carreira que tanto queria ainda no segundo ano. Ela se tornou universitária de Letras Português na Universidade Federal do Acre (UFAC). Durante o tempo na instituição, Rita considera a colação de grau como melhor momento não só de sua licenciatura, como de sua vida.

"A minha colação de grau foi a coisa mais linda e emocionante da vida e nela, eu fui agraciada com a Láurea Acadêmica – certificado concedido aos alunos que têm os melhores índices e uma exemplar conduta acadêmica", comemora.

Trajetória na Bocha

Rita começou a praticar a bocha em 2012, quando passou a frequentar a APAE. Logo em seu primeiro ano, competiu em dois torneios, porém sem êxito. Em 2013, passou pela mesma situação nas Paralimpíadas Escolares. Sem apoio e resultados, Rita viu-se obrigada a parar de jogar.

No entanto, sempre teve vontade de retornar ao esporte. Foi o que aconteceu em 2017, quando a prefeitura de Cruzeiro do Sul em conjunto com uma clínica particular ofereceu sessões de fisioterapia gratuitas a ela e, com o apoio de seu clube APA, de professores, de auxiliares, da família e de amigos, pôde retornar à bocha e crescer como atleta.

Já na categoria adulta, Rita começou a trilhar um novo caminho no esporte: participou de campeonatos Estaduais, Regionais e Brasileiros, sempre com bons resultados. Suas conquistas são: bicampeonato estadual (2017 e 2018), tricampeonato regional (2017, 2018 e 2020), prata no estadual (2019) e Bronze no Regional (2019).

"Recebo muito carinho, oportunidades e uma avalanche de amor vinda das pessoas e de Deus. E retribuo isso espalhando pelo mundo tudo que meus avós paternos me ensinaram. Hoje, sou uma referência na minha cidade, estado e região", orgulha-se Rita, que é a única mulher na categoria BC1 da Região Norte.
"Gostaria de fazer parte da seleção brasileira de bocha, ir morar no Canadá por causa da referência em acessibilidade, ir ao Caldeirão do Huck, viajar para palestrar, comprar uma cadeira motorizada, encontrar um amor e, com ele, construir a minha própria família", conclui.